Para saber um pouco mais sobre a proposta da escola de samba Embaixadores da Alegria, Fernanda Honorato conversou com um dos fundadores, Paul Davies. Ele contou como surgiu a ideia de montar a escola:

"Em 2005, eu tive problema de coluna. Eu estava assistindo o desfile das Campeãs e pensei: "Como deveria ser para uma pessoa com deficiência desfilar?". Infelizmente, eles não tinham espaço. E, em 2006, com o Caio, eu abri a Embaixadores da Alegria, que foi a primeira, única escola do mundo para pessoas com deficiência. Esse ano, a gente está fazendo 10 anos de sucesso. Em 2016, a gente vai desfilar com mais ou menos 1700 foliões. Desses, talvez 1200 tenham algum tipo de deficiência. Tem pessoas de São Paulo, de Salvador, de Belo Horizonte também. A gente tem pessoas cadeirantes, sem perna, pessoas cegas, anões, a gente tem todos os tipos de deficiência, intelectual e física. Na verdade, a Embaixadores da Alegria é a única escola de samba do mundo que tem todos os tipo de deficiência. Eu acho que a Embaixadores da Alegria mostra exatamente essa questão que não deveria ter preconceito. Porque se você vê uma pessoa que tem algum tipo de deficiência, que desfila com alegria os 650 metros da Sapucaí, é impossível que ninguém não se emocione, e pense: "Não, essas pessoas têm que ser tratadas como qualquer pessoa, respeitada também." Então ajuda na questão de acabar com o preconceito, especialmente durante o Carnaval."

Zé Luis Pacheco conversou com uma das passistas mais antigas da escola, Elisabeth Marge, que é cadeirante. Ela falou sobre a experiência de desfilar na Sapucaí:
“O meu primeiro desfile foi em 2009. Então, você vai chegando um pouquinho tímida, você não sabe exatamente onde você vai botar a roda, você bota uma roda aqui, uma rodinha ali, mas depois, sabe, um pouquinho antes do meio, você já "solta a franga", você já não enxerga mais nada, você só enxerga alegria, só escuta o som do tamborim, e você sai mesmo e vai brincando. A Embaixadores, ela é uma escola que ela acolhe você. E, com o passar dos anos, você vai se enturmando, aí você vai se sentindo mais livre, você já vai interagindo com o povo que está ali, as pessoas também vão interagindo conosco. Eu vejo as pessoas se emocionando conosco. Uma das coisas que eu gostaria mesmo é de ver aquele Sambódromo cheio, totalmente lotado e uma das coisas que eu gostaria muito é que o povo estivesse todo lá. Quando a gente tem o reconhecimento externo, a gente espera o reconhecimento da nossa casa, porque para nós é importante sermos reconhecidos também aqui, que as pessoas respeitem o nosso trabalho, e que estejam lá nos aplaudindo. Como ela é uma escola inclusiva, ela não é uma escola só de deficientes, pessoas que são também adeptas, que são a favor da inclusão, podem vir também brincar conosco.”

Luciano Moreira, carnavalesco, contou para Fernanda Honorato como é o trabalho dele na Embaixadores da Alegria:

“O carnavalesco é responsável por toda a concepção visual, artística da escola. Desde a composição do enredo e influência em todos os outros segmentos da escola. Você é responsável, corresponsável também pelo outros quesitos, que seriam harmonia, até mesmo na bateria, porque se o carnavalesco cria, numa concepção visual, uma plástica para a bateria, que não condiz, que atrapalhe a cadência, ele está prejudicando aquele quesito. Então, ele tem que pensar em todo o processo, não só artístico, mas como aquela concepção, na Avenida, tecnicamente."

Em Pernambuco, nossa equipe conheceu uma escola de Frevo inclusiva, onde crianças e jovens com algum tipo de deficiência aprendem a dança. Anna Miranda, diretora da Escola de Frevo, falou sobre este projeto:

“A escola de frevo é uma escola municipal. Ela já existe há 18 anos, e, nesses 18 anos, a gente começou só para escolas públicas, depois a gente sentiu a necessidade de um público em geral. E também sentiu-se a necessidade, tanto das pessoas como da gente, da inclusão de pessoas com deficiências motoras e cognitivas. Então, a escola tem um trabalho de inclusão. O frevo tem uma ligação direta com alegria. É uma dança, é uma música e uma dança que é explosiva. Então, a gente trabalha as qualidades físicas do indivíduo com a dança: ritmo, agilidade, flexibilidade, coordenação.”

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